Duplicata Escritural e Open Finance: o Que Muda no Risco Sacado

O que muda para programas de risco sacado nos próximos anos.

Duplicata escritural e Open Finance estão mudando, ao mesmo tempo, a base documental e a base de dados sobre a qual todo programa de risco sacado opera. Não é coincidência de calendário regulatório: são duas infraestruturas coordenadas pelo Banco Central que, juntas, mudam o custo de operar contas a pagar em grandes empresas.

Até aqui, quem estrutura ou avalia um programa de risco sacado lida com dois gargalos conhecidos. Do lado documental, duplicatas em papel ou PDF abrem espaço para duplicidade de escrituração e fraude. Do lado dos dados, a decisão de crédito depende de informações que o financiador não vê diretamente, o que encarece o funding e concentra a relação em poucos bancos. As duas frentes estão mudando de patamar ao mesmo tempo, e o intervalo entre agora e a obrigatoriedade plena é a janela em que a diferença entre um programa preparado e um programa reativo se paga.

O cronograma que sai do papel em 2026

O Banco Central autorizou a B3 a atuar como entidade registradora de duplicatas escriturais em 25 de junho de 2026, e o ecossistema operacional foi lançado cinco dias depois. A fase de produção assistida ocorre entre julho e dezembro de 2026, com um grupo seleto de empresas testando o modelo em ambiente controlado. A obrigatoriedade chega em junho de 2027 para grandes empresas, dezembro de 2027 para médias e junho de 2028 para pequenas.

Na prática, isso significa que grandes empresas — o perfil típico de quem estrutura risco sacado com a Líber —têm menos de um ano de produção assistida antes da obrigatoriedade. Registradoras como B3, Núclea e Cerc ainda ajustam processos, e a maioria das empresas ainda não iniciou a adaptação, à exceção de operações pontuais com clientes selecionados.

Com o lastro eletrônico único, a duplicata deixa de poder ser emitida em duplicidade ou alterada sem rastro, oque reduz o espaço para fraude documental e disputa sobre quem é o credor legítimo em uma cessão. Estimativas de mercado apontam a duplicata escritural como um mecanismo capaz de destravar um volume expressivo de crédito hoje represado por insegurança documental — mas esse número depende de adesão efetiva das empresas e das registradoras, e por ora ainda é projeção, não resultado consolidado.

Dados fluindo mais rápido que a adesão

Enquanto a duplicata escritural ainda está em fase assistida, o Open Finance já mostra tração relevante: o Brasil superou 160 milhões de consentimentos ativos no primeiro trimestre de 2026, e o número de empresas conectadas ao ecossistema cresceu 146% em doze meses, saindo de 239 mil para 589 mil.

O crescimento percentual impressiona, mas o número absoluto ainda é pequeno frente à base: 589 mil empresas conectadas representam cerca de 3% das mais de 20 milhões de empresas ativas no país. A infraestrutura de dados já existe e já é usada — o que falta é adesão em escala, especialmente entre empresas de porte médio e grande que ainda tratam compartilhamento de dados bancários como exceção, não como padrão operacional.

Em fevereiro de 2026 entrou em operação a portabilidade de crédito 100% digital, primeira aplicação transacional do Open Finance voltada ao cluster de crédito — um processo que antes levava cinco dias úteis de papelada agora é conduzido digitalmente, com acompanhamento em tempo real. A PwC Brasil projeta que o Open Finance pode gerar algo em torno de R$ 42 bilhões em novas receitas até o fim de 2026, com crédito B2B baseado em dados bancários reais entre as aplicações de maior potencial para tesourarias.

Dados fluindo mais rápido que a adesão

Enquanto a duplicata escritural ainda está em fase assistida, o Open Finance já mostra tração relevante: o Brasil superou 160 milhões de consentimentos ativos no primeiro trimestre de 2026, e o número de empresas conectadas ao ecossistema cresceu 146% em doze meses, saindo de 239 mil para 589 mil.

O crescimento percentual impressiona, mas o número absoluto ainda é pequeno frente à base: 589 mil empresas conectadas representam cerca de 3% das mais de 20 milhões de empresas ativas no país. A infraestrutura de dados já existe e já é usada — o que falta é adesão em escala, especialmente entre empresas de porte médio e grande que ainda tratam compartilhamento de dados bancários como exceção, não como padrão operacional.

Em fevereiro de 2026 entrou em operação a portabilidade de crédito 100% digital, primeira aplicação transacional do Open Finance voltada ao cluster de crédito — um processo que antes levava cinco dias úteis de papelada agora é conduzido digitalmente, com acompanhamento em tempo real. A PwC Brasil projeta que o Open Finance pode gerar algo em torno de R$ 42 bilhões em novas receitas até o fim de 2026, com crédito B2B baseado em dados bancários reais entre as aplicações de maior potencial para tesourarias.

O que isso significa para programas de risco sacado

Tomadas em conjunto, duplicata escritural e Open Finance reduzem dois custos que hoje sustentam a dependência de um único banco em programas de risco sacado: o custo de verificar se o título é legítimo, e o custo de obter dados suficientes para precificar o risco de cada fornecedor. Quando esses custos caem, fica mais barato para um segundo,terceiro ou quarto financiador entrar na disputa — o mecanismo que sustenta a tese de competição multifunding.

Nenhuma das duas infraestruturas resolve, por si só, a coordenação entre ERP, registradoras, financiadores e fornecedores — isso continua sendo trabalho de operação ativa. A diferença entre uma empresa que apenas cumpre a obrigatoriedade e uma que transforma essa janela em vantagem está na camada de orquestração: quem já integra ERP,plataforma de crédito e múltiplos financiadores absorve a duplicata escritural como uma atualização de processo; quem opera de forma fragmentada absorve comoum projeto de TI emergencial em 2027.

Vale já mapear qual parcela dacarteira de fornecedores opera com duplicata em papel ou PDF, avaliar comjurídico e TI a integração com as registradoras autorizadas e revisar adependência de um único financiador.

A Líber estrutura e operaprogramas de risco sacado com integração a ERP, multifunding e monitoramentocontínuo, e busca viabilizar essas eficiências conforme a infraestruturaregulatória avança — os impactos concretos, porém, dependem da carteira e da estruturajurídica, fiscal e operacional de cada empresa.

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